As contas do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registraram déficit primário de R$ 53,2 bilhões em maio, após um superávit de R$ 25,1 bilhões em abril, informou ontem o Tesouro Nacional. Apesar do resultado mensal negativo, em maio a arrecadação federal alcançou R$ 266,7 bilhões, o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 2000.
Os gastos do governo central cresceram 9,4% em termos reais em relação a maio de 2025, enquanto as receitas totais avançaram 5,5%, já descontada a inflação.
O déficit registrado em maio foi superior ao observado no mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo havia sido de R$ 40,2 bilhões. Ainda assim, ficou abaixo apenas do resultado de maio de 2024, quando as contas registraram déficit de R$ 60,4 bilhões.
No acumulado de janeiro a maio, o governo central registra déficit primário de R$ 44,3 bilhões. No mesmo período do ano passado, havia superávit de R$ 32,9 bilhões. Enquanto as despesas cresceram 13% acima da inflação, as receitas avançaram 4,3% em termos reais no período.
Considerando os últimos 12 meses encerrados em maio, o déficit primário soma R$ 142,3 bilhões, o equivalente a 1,06% do PIB. As despesas obrigatórias representam 17,71% do PIB, enquanto as discricionárias correspondem a 1,85%.
A meta fiscal para 2026 prevê superávit primário de 0,25% do PIB, com margem de tolerância de 0,25 ponto porcentual para cima ou para baixo.
No Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do segundo bimestre, o governo elevou a projeção de superávit para o ano, considerando as exceções previstas no arcabouço fiscal, de R$ 3,5 bilhões para R$ 4,1 bilhões. Sem descontar os R$ 64,4 bilhões de despesas excluídas da meta, o resultado projetado para 2026 continua negativo em R$ 60,3 bilhões.
Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, boa parte dessa expansão decorre do pagamento de precatórios e do esforço para reduzir a fila de benefícios do INSS. “De fato, há um impacto grande do pagamento de precatórios, que explica boa parte desse aumento. Outro fator foi o esforço do governo de limpar, reduzir um pouco a fila do INSS”, afirmou.
Leal ressaltou que a aceleração dos gastos está dentro do esperado e não compromete, por enquanto, o cumprimento da meta fiscal. Segundo ele, a tendência é que o crescimento das despesas em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) perca força ao longo do segundo semestre.
O secretário explicou que a despesa havia permanecido estabilizada pouco abaixo de 19% do PIB, mas aumentou temporariamente porque o período passou a incorporar dois pagamentos de precatórios – feitos em junho do ano passado e março deste ano –, além de uma execução mais acelerada das emendas parlamentares impositivas na primeira metade do ano.
PETRÓLEO.
Leal previu que a receita com dividendos do petróleo deve chegar a R$ 54 bilhões neste ano, ante R$ 51 bilhões em 2025. “Não teve nenhum incremento
“De fato, há um impacto grande do pagamento de precatórios, que explica boa parte desse aumento (das despesas do governo). Outro fator foi o esforço do governo de limpar, reduzir um pouco a fila do INSS” Daniel Leal Secretário do Tesouro Nacional
ADICIONAL DE DIVIDENDOS.
Foi uma expectativa bem pé no chão, exatamente para refletir e não ter nenhuma surpresa negativa ao longo do ano, em que pese a execução ter sido diferente do ano anterior”, afirmou.
Ele destacou que não houve incremento das expectativas de dividendos por causa do aumento do petróleo, por exemplo. Também enfatizou, por outro lado, que não há, por enquanto, nenhuma expectativa de que vá haver frustração com esses números.
Ainda sobre o cenário de petróleo, Leal avaliou que a expectativa é que haja um efeito até mais positivo no balanço de petróleo até o fim do ano. Disse também que a receita adicional esperada com petróleo está equilibrada com o custo de medidas antiguerra.
Ele disse também que ainda há incerteza de como o petróleo vai se comportar até o fim do ano e que a tendência é não precisar de novas medidas contra choques de preços se o valor do barril ficar em “nível razoável”. “A medida foi muito mais para conter o aumento do preço, muito mais para suavizar os choques momentâneos em que ele se deu. Por isso que ela foi feita de caráter temporal. Se o petróleo se mantiver em um nível razoável de preço, a tendência é que você não tenha necessidade de medidas adicionais”, afirmou.
EMENDAS.
Já o secretário adjunto do Tesouro, David Athayde, acrescentou que não há expectativa de aumento das despesas com emendas parlamentares em 2026. Segundo ele, a antecipação dos pagamentos ocorreu para atender às restrições impostas pela legislação eleitoral. Daniel Leal informou que cerca de 65% dessas emendas já foram pagas.
Fonte: Estado de São Paulo